quarta-feira, 10 de outubro de 2012

4º dia - Cuiabá (MT) --> Vilhena (RO)

10.09.2012 - De Cuiabá-MT a Vilhena-RO - 740 Km - Segunda-Feira


De Cuiabá-MT a Vilhena-RO - 740 Km


Após o Nico fazer a manutenção da sua moto na concessionária da Yamaha, e eu fazer a manutenção da minha no estacionamento do hotel mesmo… (regular as válvulas, limpar filtro de ar e completer o óleo do motor), saimos em direção a Vilhena-RO. O dia foi marcado pelo forte calor na região. E por falar em calor… e novamente exagerando um pouquinho… o Nico “foi pro inferno pela segunda vez…” Sim, a câmara do outro pneu, o dianteiro, apitou… Paramos na beira da estrada, desanimados com a situação. O Nico lembrou que tinha comprado um novo Spray reparador de câmaras. Prontamente despejamos o produto na câmara, mas novamente o Spray não funcionou. Eu comentava que em uma pequena viagem de moto com minha esposa, há alguns anos atrás, eu usei um Spray deste (da mesma marca) em uma câmara furada, em Laguna-SC, e funcionou ! E a câmara só foi murchar 3 dias depois ! Mas nesta viagem está 2 (furo) x 0 (Spray)… Sem ter outra opção, decidimos rodar com o pneu furado mesmo até a borracharia mais próxima. O vídeo abaixo mostra o Nico com o pneu furado, a caminho do borracheiro mais próximo...

Nico rodando com o pneu dianteiro furado.

 Não lembro bem o Km rodado, mas não demorou muito e chegamos em um posto de combustível com borracharia. O Nico foi direto para o borracheiro, e nós direto para a lanchonete comprar água… o calor era sufocante, e a água desceu garganta abaixo quase num gole só. Voltando à moto do Nico, ao tentar retirar a roda dianteira ele viu que não tinha a chave da roda…, nem o borracheiro tinha…, nem ninguém… Precisava de uma chave tipo Allen, de medida grande, incomum para esta situação. Todos nós (menos o borracheiro) colocamos à prova nosso espírito brasileiro, que “está no sangue” de todos nós brazucas, o “jeitinho brasileiro”… O Nico tentou fabricar uma chave no esmeril do cara…, e o cara só olhando… Depois acharam um parafuso com cabeça sextavada que até serviu como chave Allen, mas não tinha “pegada” para girar o eixo da roda, e o cara só olhando… Alguém sugeriu soldar o parafuso em uma barra de ferro para poder usar com mais força, mas não havia solda…, e o cara só olhando… Eu sugeri afrouxar o suporte do eixo para que “quando surgisse uma solução”, pelo menos ficaria mais fácil de soltar o eixo. Aí o borracheiro cansou de ficar só olhando, pegou umas 3 ferramentas, enfiou tudo junto no local onde deveria só servir a chave Allen, girou com vontade e o eixo girou prontamente… Não precisa nem descrever nossa reação… 4 caras estudados, vividos, sabidos, e o borracheiro lá dando fim naquela novela. Bom, resolvido este pequeno problema, e agora somente aos cuidados daquele “profissional”, retirou-se a roda e a câmara. Não deu para saber o que furou a câmara, pois rodou-se alguns Km com o pneu murcho até a borracharia, fazendo a câmara quase se destruir. O Nico tinha uma câmara reserva e assim foi trocada pela nova. Ficávamos preocupados para ele não furar a câmara, pois como espátulas de montar pneu ele usava chave de fenda mesmo… E disse que se furasse aquela câmara, seria a primeira em toda sua vida de borracheiro… Enquanto isso também comentava que não gostava de arrumar pneu de moto, pois já teve 2 motos e com a última levou um tombo que ele não vai esquecer nunca mais. Neste momento percebemos o motivo de uma certa arrogância dele em nos atender, mas no final era tudo alegria, até com direito a foto com o Nico e o nosso novo amigo. Depois que o Nico viu um símbolo do Flamengo na parede da borracharia então… amigos para sempre….kkkkkkk.


Esperando a troca da câmera furada...

Seguimos em frente, então, e até Vilhena-RO, nosso destino final do dia, mais nenhum incidente. Depois de 740 Km, chegamos lá já anoitecendo. Escolhemos um hotel e saimos para jantar. A cidade estava toda coberta por uma névoa de fumaça das queimadas da região. Situação triste e desagradável, a qual não estamos acostumados aqui no Sul do Brasil. Barriga cheia, embora dormir.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

3º dia - Rondonópolis (MT) --> Cuiabá (MT)

09.09.2012 - Domingo


De Rondonópolis-MT a Cuiabá-MT, passando pela Chapada dos Guimarães - 250 Km

Depois de um bom café da manhã, hotel pago e bagagem na moto, saimos em direção a Vilhena-RO, nosso próximo destino. O dia já amanheceu com um calor infernal, tanto que colocar ou não nossa roupa de viagem (calça e jaqueta reforçada, para maior segurança, mas muito quente) era uma dúvida constante. A cada parada para abastecimento éramos obrigados a retirar a jaqueta para o corpo “respirar”. A temperatura batia nos 40 graus durante o dia. As queimadas na região, muito comuns, infelizmente, também colaboravam para aumentar a sensação de estarmos numa sauna. Era o “inferno na terra”, lembrava. E nem sinal de que em algum dia da viagem pegaríamos chuva, o que também não seria bom, pois chuva sempre atrapalha. E o calor foi o responsável pela primeira pane nas motos. Como diz a letra da música do Legião Urbana, “Faroeste Caboclo”, podemos dizer que o Nico , exagerando só um pouco, “...pro inferno ele foi pela primeira vez...” Sim, primeira vez, pois ele viria a tomar gosto pela coisa e iria outras vezes... O calor do asfalto fez um remendo da câmara de ar traseira se soltar... Isto aconteceu bem em frente a um boteco de beira de estrada. Por sorte havia uma borracharia a apenas 1 Km dali. Fomos eu e o Nico procurar a borracharia, e o Jackson e o Serjão descansavam ao lado do boteco, tomando umas... A borracharia estava aparentemente abandonada, mas apareceu um rapaz dizendo que o borracheiro já ia voltar, pois foi prestar um socorro a um veículo ali por perto. Depois é que eu reparei que ele deixou um aviso de que “já voltava” escrito no seu mural de recados... Demorou alguns segundos mas acabamos compreendendo o recado, já que o seu “purtugueis” não era dos melhores... 


Javoto quer dizer "já volto...", tendeu ?


O Nico então como não aguenta ficar parado, já se adiantou e retirou a roda da moto. Nem se lembrou de pelo menos colocar a moto na sombra..., pois o calor era insuportável. 

 Começando a retirar a roda... no sol...

 Agora é só esperar o borracheiro chegar...

Com a roda já fora da moto, chega o borracheiro com o veículo que fora fazer o socorro. O carro era um SUV da Hyundai, e ao abastecer colocaram diesel ao invés de gasolina, e aí não deu pro motor... Como o nosso caso era “aparentemente” mais rápido, ele já nos atendeu e retirou a câmara de ar. Lá se viu que o remendo da câmera se soltou devido ao calor extremo. Mas a surpresa maior era que a câmara tinha remendo, sendo que o Nico antes de viajar tinha mandado trocar as câmaras dianteira e traseira por câmaras novas, mas parece que esqueceram/confundiram/sei lá, mas a verdade é que aquela era uma câmara usada... 

O remendo não aguentou o calor do asfalto. Remendo ? Mas a câmara era nova...



Constatou-se à primeira vista que a câmara não tinha mais conserto, e aí começa uma novela... O Nico tinha uma câmara reserva, nova, mas ao montar na roda e encher ela não aguentou e arrebentou. Viu-se que era uma câmara para pneu de moto pequena, e não para um pneu de medida 130... O borracheiro também só tinha câmaras desta medida para vender. Mesmo assim foi feito um remendo nesta câmara e foi montado novamente. Por enquanto tudo bem. Pagamos e seguimos em frente, mas logo em seguida a câmara apitou novamente. Fomos até o boteco onde estavam o Jackson e o Serjão, e então encontramos um motociclista local, o qual disse que conhecia uma oficina ali perto. Era Domingo, e ele ligou para saber se o dono abriria para nos atender. Maravilha..., ele estava lá e tinha câmara. Fui eu e o motociclista para lá, por uma estrada de terra solta e vermelha, perigosa para quem está com moto pesada e carregada. Juro que me passou pela cabeça que ele estava me levando para uma emboscada, tipo “passa a moto para cá e cai fora...”, mas felizmente não foi nada disso, muito pelo contrário. Depois de uns 10 Km chegamos na oficina e o dono foi muito prestativo, mas... ele só tinha câmara para moto pequena também, tipo CG e Biz... Mesmo assim comprei uma aro 18 de CG (a da moto do nico era aro 17”) e voltamos novamente na borracharia. O borracheiro riu e nos atendeu prontamente para mais uma tentativa, na esperança de que aquela câmara fosse aguentar por ser de uma marca melhor. Mas ao montar e encher, já apitou... Em mais uma tentativa, usamos um spray de reparar câmaras, da Motul, que eu levava para casos de emergência. O pneu encheu, mas logo se esvaziou novamente vazando todo o produto... Bom, aquela câmara que estava na moto e que tinha soltado o remendo já começou a nos parecer que seria nossa última esperança, pois pelo menos era da marca Pirelli, original da moto. O borracheiro fez um novo remendo nela, enorme, que levou uma meia hora para fundir o “manchão” na câmara. Finalmente funcionou, e foi o que deveríamos ter tentado desde o começo. Em tom de brincadeira nos despedimos do nosso “salvador” e dissemos que não pretendíamos vê-lo novamente. Esta “desaventura” nos custou umas 3 horas, então ao reencontrar os companheiros Jackson e Serjão, decidimos mudar nossa rota e passar pela Chapada dos Guimarães, antes de chegar a Cuiabá-MT, que ficou sendo o nosso novo destino daquele dia, já que não conseguiríamos mais chegar em Vilhena-RO antes de anoitecer. Paramos para tirar algumas fotos na Chapada e seguimos em frente. Infelizmente não visitamos todos os pontos turísticos do local, pois tínhamos muito a rodar ainda, e com data definida para chegar em casa...

Chapada dos Guimarães - Serjão, Mário e Jackson
Chapada dos Guimarães - Serjão, Nico e Jackson
Visão aérea da Chapada dos Guimarães
Este parte da viagem só rendeu 250 Km, mas estávamos satisfeitos por ter mudado o roteiro e conhecido um lugar impressionante que não tínhamos nos programado em visitar.
Chegando em Cuiabá-MT
Chegando em Cuiabá-MT, ficamos em um hotel que por coincidência ficava a 100 metros de uma concessionária Yamaha, onde na manhã seguinte o Nico aproveitou para deixar sua XT-660 em ordem e comprar um spray reparador de pneu e uma nova câmera de ar. Neste hotel encontramos dois colegas motociclistas de São Paulo que estavam em viagem pelo Brasil, o Marcelo e o Mauro, muito bacanas, que nos contaram várias de suas aventuras de moto, enquanto tomávamos vários canecos de chopp, acompanhados por petiscos de carne de jacaré e pintado, em um boteco perto do hotel. 

Em Cuiabá-MT, à base de Chopp bem gelado, carne de jacaré e pintado.
Da esquerda pra direita: Jackson, Serjão, Nico e Mário.
Com os colegas Marcelo e Mauro, à direita.
                                  A noite em Cuiabá estava muito agradável, e fomos os últimos clientes a sair antes de fechar o boteco. Boteco, hotel, cama e dormir… 

domingo, 7 de outubro de 2012

2º dia - Nova Londrina (PR) --> Rondonópolis (MT)

08.09.2012 - Sábado
De Nova Londrina-PR a Rondonópolis-MT - 900 Km

Saimos de Nova Londrina-PR bem cedo pois o a viagem seria longa. Queríamos rodar o máximo possível nestes primeiros dias para chegar o quanto antes no Perú, para iniciarmos nossa “rota internacional”, já que pelo caminho escolhido pelo Brasil não teríamos muito atrativos ou pontos turísticos. Neste dia rodamos 900 Km, só parando para abastecer e almoçar. Na parada do almoço encontramos um grupo de trilheiros, que nos fez bater uma saudade das trilhas… Mas logo lembramos que estávamos em uma viagem “on-road” e que nosso caminho era quase 100% asfalto… Na verdade somos trilheiros em nossa cidade, e que de vez em quando pegamos um asfalto.  Eu particularmente já fazia 10 anos que não tinha uma moto de rua, somente trilha.



Abastecendo...

Parada para o almoço, em Campo Grande-MS


Neste dia chegamos em Rondonópolis-MT. Escolhido o hotel, fomos sair à caça da janta… Sim, pois as opções eram poucas, e começamos numa barraquinha de espetinho de gato…, a R$ 2,00 cada. Foram 5 espetinhos cada um... Na verdade a carne era acém…, com banha intercalada em cada pedaço… Incrível, estava muito bom… a fome faz maravilhas ! Depois completamos com um X-Tudo numa lanchonete-trailer na calçada…

Após um merecido lanche...

Começando a contar a viagem. 1º dia - Jaraguá do Sul-SC --> Nova Londrina-PR

Dia 07.09.2012 - Sexta-Feira
De Jaraguá do Sul-SC a Nova Londrina-PR - 746 Km

Jaraguá do Sul-SC, feriado, dia 07 de Setembro de 2012. Começava neste dia a a realização de um desejo de fazer uma rota internacional por países da América do Sul, de moto, evidentemente. Juntos nesta aventura estavam os amigos Neri Ern (Nico), Sérgio Borga (Serjão), Jackson Ropelatto e eu, Mário Spoladore.

Contrariando todos os relatos que li de viagens deste tipo, em que a programação das viagens duravam meses, a nossa se resumiu em uma reunião de 1:30 horas, 3 dias antes da data programada de saída, com direito a cerveja e pizza... Ficou definido que deveríamos levar o mínimo possível de bagagem e que não deveríamos esquecer de abastecer as motos e levar uma corda, no caso de pane em alguma moto. O resto iria se definir durante a viagem. E foi o que aconteceu...
Após ver que a minha lista de bagagem estava demasiada longa para uma viagem de moto, retirei vários itens, os quais felizmente não fizeram falta na viagem, e me aliviaram alguns quilos na moto.
O Nico foi pilotando uma Yamaha XT660. O Jackson uma Honda Transalp 700, e o Serjão uma BMW GS800. Eu fui de Honda Falcon 2008, adquirida especialmente para esta viagem, com apenas 2.600 Km rodados, uma raridade. Para quem tem uma Falcon e pretende fazer este tipo de viagem, pode ir sem medo. No meu caso, simplesmente tive que abastecer, trocar o óleo a cada 3.500 Km rodados, limpar o filtro de ar e fazer 01 regulagem de válvulas, tudo previsto no guia de manutenção da moto. Como sabia que iria enfrentar grandes altitudes (até 4.800 metros), usei um giclê de alta 140 (o original é 150). Assim a moto ficou mais “afinada” para médias altitudes. A moto se comportou muito bem, apenas perdendo um pouco de potência nas grandes altitudes, mas sem comprometer o andamento da viagem. A 4.800 metros chegava a 100 Km/h nas retas e 80 Km/h nas subidas leves. Nas médias e baixas altitudes se mantinha a 120 Km/h facilmente.

Saída no posto Mime, em Jaraguá do Sul-SC

Saída no posto Mime, em Jaraguá do Sul-SC

Para dar partida a esta viagem nos encontramos em um posto de gasolina às 7:00 horas da manhã. O clima estava ótimo. A expectativa era grande. A ansiedade de “pegar a estrada” também. Após algumas fotos e despedidas saímos. Como era feriado emendado com o fim de semana, as estradas estavam lotadas com carros e caminhões rumo ao Sul. Até Curitiba nossa direção era contrária à da maioria, que iam em direção às praias de SC e PR. Após Curitiba pegamos muito congestionamento até o posto da PRF em São Luis do Purunã-PR, depois foi tranquilo. Nestas horas é que vemos a grande vantagem da moto, passando relativamente fácil pelo congestionamento.
Após passar por Ponta Grossa-PR, uma primeira “divergência tecnológica”: o Serjão e o Jackson estavam com GPS nas motos, e... cada um indicava um caminho diferente a ser seguido... Como sou paranaense e conhecia a região opinei para seguirmos em direção ao Norte, que era o caminho que apontava o GPS do Jackson, e foi o que fizemos.

A caminho de Nova Londrina-PR

A “programação” do dia era rodar até “não sei aonde” enquanto o sol estiver à mostra. E neste dia o nosso destino ficou sendo Nova Londrina-PR, após 746 Km rodados. Os hotéis estavam quase lotados devido a uma festa na cidade, com direito a show sertanejo da dupla “Brenno Reis e Marco Viola”. Conseguimos vaga num hotel bem simples e de internet lenta. Coincidentemente a dupla sertaneja estava neste hotel e, conversa vai, conversa vem, ganhamos uns DVD's da dupla. Lá também ficamos conhecendo o famoso “Xexéu”, um vendedor de pickups muito bom de prosa, e que durante boa parte da viagem viria a ser assunto em várias de nossas conversas. Ele disse que era muito conhecido por aí, mas na viagem inteira perguntávamos por ele e ninguém conhecia… Ele nos deu muitas dicas das estradas que iríamos enfrentar no dia seguinte.
Neste dia começamos a atualizar o blog com fotos da viagem, mas a internet era muito lenta e foi desanimador.
Após um bom lanche, cama e descansar para o dia seguinte.